Fer Caggiano

Arte

Primeiro o conceito. O estilo vem depois.

Vinte e cinco anos de autorretratosA história por trás deles →
Autorretrato, óleo, Nova York
c. 2001Óleo · Nova York
Autorretrato, óleo, Londres
c. 2005Óleo · Londres
Autorretrato em meditação
c. 2007Óleo · São Paulo
The Creative Mind
c. 2019Óleo · Charleston
Where To Now, pintura digital
2023Pintura digital
Self Love, animação
2025Animação
Autorretrato com a Nikon Z5
2026Fotografia

O mesmo rosto, ferramentas diferentes e várias vidas diferentes.

Artistas costumam ouvir que precisam escolher um caminho: um meio, uma cara, repetida até que as pessoas reconheçam o seu trabalho do outro lado da sala. Eu entendo. Funciona, e vende.

Eu escolhi a liberdade criativa. Me interessa mais expressar uma ideia do que repetir uma estética, então cada obra começa com algo que eu quero dizer, e só depois decido como dizer. A pintura é a base de tudo o que eu faço, mas quando uma ideia pede uma câmera, uma animação, um vídeo ou algumas páginas de texto, é isso que eu uso.

As ferramentas mudaram muito ao longo dos anos, e eu também. Esta página acompanha o trabalho desde os primeiros óleos em Nova York até o ateliê que estou montando agora em Itupeva.

01

Primeiros Anos

1989 a 2003 · São Paulo, Nova York

Passei anos me convencendo de que arte não era uma carreira prática, então fui estudar marketing.

Quando finalmente cheguei à Art Students League, em Nova York, senti que precisava recuperar o tempo perdido. Pintava todos os dias, trabalhava em três telas por semana e expunha sempre que podia. Esses primeiros óleos são coloridos, físicos e cheios de gente, com figuras que ocupam a tela inteira.

SOHO International 2002
02

Período Sombrio

2004 a 2005 · Londres

Alguns anos depois nos mudamos para Londres, e o trabalho mudou junto com a minha vida. As cores continuavam lá, mas os tons ficaram mais escuros e os rostos, mais inquietos.

Eu não estava pintando conscientemente o que estava vivendo. Mesmo assim, aquilo encontrou um jeito de chegar à tela.

03

A Virada Interior

2006 a 2008 · São Paulo

De volta a São Paulo, comecei um longo período de busca interior, e as pinturas me acompanharam. Ficaram simbólicas, quase teatrais, cheias de flores, padrões e corpos em meditação.

Eu já não pintava o que via no espelho, e sim o que estava procurando.

04

A Longa Espera

2009 a 2016 · Brasil

Depois, por quase dez anos, mal toquei numa tela. Passei quatro anos como artista residente em um templo budista e, depois disso, vivi de pintar murais em quartos de criança, salas e restaurantes. Não era bem a vida de artista que eu imaginava aos vinte e poucos anos, mas era uma vida honesta, e sempre com um pincel na mão.

Sempre que podia, pintava para mim em retalhos de madeira com sobras de tinta de parede. Essas peças viraram Janelas, uma pequena individual em 2015.

Pintando no Odsal Ling
Pintando no Odsal Ling
Mural
Mural
Janelas
Janelas, 2015
05

De Volta à Arte

2016 a 2021 · Connecticut, Charleston

Quando voltei para os Estados Unidos, retomei a pintura a sério e, por um tempo, tudo se encaixou. Charleston me deu as suas ruas, os seus mangues e aquela luz dourada do Lowcountry, e eu pintei muito disso.

Mas logo o trabalho começou a pedir mais do que beleza. Pintei quarenta mulheres que ousaram ser quem são, uma colmeia de abelhas para falar dos polinizadores que estamos perdendo e uma carta de amor ao Brasil que ajudou a financiar um projeto de reflorestamento.

Paisagens e aquarelas

Angel Oak
Magnolia Plantation
Cavalo selvagem
06

Digital e Além

2021 até hoje

Por volta de 2021, a vida mudou de novo, e as minhas ferramentas também. Peguei um iPad, e ele me abriu um tipo de liberdade que eu nunca tinha tido.

De repente eu podia animar uma pintura, mudar cores e proporções e testar dez versões da mesma ideia. Depois as minhas fotografias começaram a se mexer e, por fim, comecei até a pintar com código.

07

Agora

2026 · Itupeva, Brasil

Hoje estou de volta ao Brasil, montando um ateliê em Itupeva e voltando para a tela, a textura e a tinta nas mãos.

Não estou deixando o digital para trás. Só continuo usando o que a ideia pedir.

No ateliê

Não só pintura

A pintura é a base. Nunca foi o limite.

Algumas ideias pedem um pincel. Outras pedem uma lente, ou alguns milhares de palavras.

Pintura

Tela, papel e a tinta que a ideia pedir. A base de tudo o que eu faço.

Ver as pinturas →

Fotografia

Da minha Nikon ao celular, enquadrando o que já está ali. Também edito os meus próprios vídeos, principalmente para YouTube e Instagram.

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Escrita

O meu blog, e um livro que venho escrevendo devagar, uma memória de cada vez, sem pressa de terminar.

O livro →   O blog →

Declaração de artista

A arte como voz para o bem maior.

A arte pode criar uma mudança de mentalidade. Se uma pessoa está inquieta, a arte pode trazer paz. Se alguém se sente estagnado, a arte pode colocá-lo em movimento. Vejo uma pintura como um portal, capaz de levar você a um lugar mais tranquilo ou de empurrar a sua mente em direção a novas ideias.

Para mim, a arte existe para começar conversas. Ela pode trazer consciência, ajudar na busca por sentido e nos dar um jeito de olhar para dentro.

É por isso que tantos dos meus projetos apoiam causas em que acredito, como igualdade e sustentabilidade ambiental.

O rosto muda, e o meio, com certeza. A ideia continua à frente.