






O mesmo rosto, ferramentas diferentes e várias vidas diferentes.
Artistas costumam ouvir que precisam escolher um caminho: um meio, uma cara, repetida até que as pessoas reconheçam o seu trabalho do outro lado da sala. Eu entendo. Funciona, e vende.
Eu escolhi a liberdade criativa. Me interessa mais expressar uma ideia do que repetir uma estética, então cada obra começa com algo que eu quero dizer, e só depois decido como dizer. A pintura é a base de tudo o que eu faço, mas quando uma ideia pede uma câmera, uma animação, um vídeo ou algumas páginas de texto, é isso que eu uso.
As ferramentas mudaram muito ao longo dos anos, e eu também. Esta página acompanha o trabalho desde os primeiros óleos em Nova York até o ateliê que estou montando agora em Itupeva.
Primeiros Anos
Passei anos me convencendo de que arte não era uma carreira prática, então fui estudar marketing.
Quando finalmente cheguei à Art Students League, em Nova York, senti que precisava recuperar o tempo perdido. Pintava todos os dias, trabalhava em três telas por semana e expunha sempre que podia. Esses primeiros óleos são coloridos, físicos e cheios de gente, com figuras que ocupam a tela inteira.



Período Sombrio
Alguns anos depois nos mudamos para Londres, e o trabalho mudou junto com a minha vida. As cores continuavam lá, mas os tons ficaram mais escuros e os rostos, mais inquietos.
Eu não estava pintando conscientemente o que estava vivendo. Mesmo assim, aquilo encontrou um jeito de chegar à tela.



A Virada Interior
De volta a São Paulo, comecei um longo período de busca interior, e as pinturas me acompanharam. Ficaram simbólicas, quase teatrais, cheias de flores, padrões e corpos em meditação.
Eu já não pintava o que via no espelho, e sim o que estava procurando.



A Longa Espera
Depois, por quase dez anos, mal toquei numa tela. Passei quatro anos como artista residente em um templo budista e, depois disso, vivi de pintar murais em quartos de criança, salas e restaurantes. Não era bem a vida de artista que eu imaginava aos vinte e poucos anos, mas era uma vida honesta, e sempre com um pincel na mão.
Sempre que podia, pintava para mim em retalhos de madeira com sobras de tinta de parede. Essas peças viraram Janelas, uma pequena individual em 2015.



De Volta à Arte
Quando voltei para os Estados Unidos, retomei a pintura a sério e, por um tempo, tudo se encaixou. Charleston me deu as suas ruas, os seus mangues e aquela luz dourada do Lowcountry, e eu pintei muito disso.
Mas logo o trabalho começou a pedir mais do que beleza. Pintei quarenta mulheres que ousaram ser quem são, uma colmeia de abelhas para falar dos polinizadores que estamos perdendo e uma carta de amor ao Brasil que ajudou a financiar um projeto de reflorestamento.

Like A Girl: Dare To Dream
Quarenta retratos de mulheres de todos os caminhos. Individual na City Gallery, 2021.
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The Hive
Abelhas, polinizadores, uma fantasia de abelha na abertura e os meus primeiros NFTs. 2021.
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Saudade
O Brasil, pintado de longe. Me levou a patrocinar um reflorestamento. 2019.
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Charleston Mandalas
Os pequenos detalhes de Charleston pelos quais passamos todos os dias.
Ver a série →Paisagens e aquarelas




Digital e Além
Por volta de 2021, a vida mudou de novo, e as minhas ferramentas também. Peguei um iPad, e ele me abriu um tipo de liberdade que eu nunca tinha tido.
De repente eu podia animar uma pintura, mudar cores e proporções e testar dez versões da mesma ideia. Depois as minhas fotografias começaram a se mexer e, por fim, comecei até a pintar com código.

Pinturas digitais e NFTs
Pinturas digitais e animações, expostas e colecionadas pelo mundo.
Ver o trabalho →
Still, Not Still.
Fotografias que eu pinto por cima, quadro a quadro, até começarem a se mexer.
Ver a série →
Arte generativa
Arte escrita em código, em que cada obra encontra a sua própria forma. Flow, Patterns e o que vem por aí.
Ver os projetos →Agora
Hoje estou de volta ao Brasil, montando um ateliê em Itupeva e voltando para a tela, a textura e a tinta nas mãos.
Não estou deixando o digital para trás. Só continuo usando o que a ideia pedir.



Não só pintura
A pintura é a base. Nunca foi o limite.
Algumas ideias pedem um pincel. Outras pedem uma lente, ou alguns milhares de palavras.

Fotografia
Da minha Nikon ao celular, enquadrando o que já está ali. Também edito os meus próprios vídeos, principalmente para YouTube e Instagram.
Ver as fotografias →Declaração de artista
A arte como voz para o bem maior.
A arte pode criar uma mudança de mentalidade. Se uma pessoa está inquieta, a arte pode trazer paz. Se alguém se sente estagnado, a arte pode colocá-lo em movimento. Vejo uma pintura como um portal, capaz de levar você a um lugar mais tranquilo ou de empurrar a sua mente em direção a novas ideias.
Para mim, a arte existe para começar conversas. Ela pode trazer consciência, ajudar na busca por sentido e nos dar um jeito de olhar para dentro.
É por isso que tantos dos meus projetos apoiam causas em que acredito, como igualdade e sustentabilidade ambiental.
O rosto muda, e o meio, com certeza. A ideia continua à frente.


